Benetia Chingapane destaca parceria com o Brasil durante celebração dos 60 anos da independência e apresenta diversificação econômica como prioridade para o futuro do país
Botsuana celebrou os 60 anos de sua independência com uma cerimônia que destacou a trajetória de transformação do país e as perspectivas de aprofundamento das relações com o Brasil. Em seu discurso, a embaixadora de Botsuana, Benetia Chingapane, ressaltou a cooperação bilateral como parte importante da estratégia de desenvolvimento da nação africana.
“A agenda de transformação de Botsuana não pode ser concretizada de forma isolada. Ela exige parcerias e, nesse sentido, nossa relação com o Brasil é um exemplo brilhante do que nações em desenvolvimento podem alcançar juntas”, afirmou.
A comemoração teve como tema “Botsuana aos 60: Construindo Resiliência, Impulsionando a Prosperidade”, uma referência à trajetória percorrida desde a independência da Grã-Bretanha, em 1966, e aos novos desafios econômicos do país.
Ao recordar aquele período, a embaixadora destacou que Botsuana estava entre as nações mais pobres do mundo, com renda anual de aproximadamente US$ 70 por pessoa. Mesmo diante das dificuldades econômicas, o país optou pela construção de uma sociedade livre, democrática e não racial, em um momento em que a África Austral enfrentava profundas tensões políticas e sociais.
Benetia também recordou o legado do primeiro presidente de Botsuana, Sir Seretse Khama, cuja visão, segundo ela, colocava a democracia, a dignidade e a autodeterminação entre as principais aspirações do novo Estado.
Seis décadas depois, Botsuana busca avançar em uma nova etapa de desenvolvimento. A estratégia apresentada prevê uma economia mais orientada para as exportações, impulsionada pelo setor privado e menos dependente dos diamantes.
Mineração e energia, agricultura, indústria de transformação, turismo, esportes e indústrias criativas, infraestrutura, serviços financeiros e digitalização estão entre as áreas consideradas prioritárias. Saúde, educação e proteção social também integram os pilares da agenda de desenvolvimento.
Brasil e Botsuana
A parceria com o Brasil ocupou lugar de destaque no discurso. A embaixadora lembrou os laços históricos de amizade entre os dois países e defendeu o fortalecimento da cooperação Sul-Sul.
“É um privilégio celebrar este evento na República Federativa do Brasil, país com o qual Botsuana mantém excelentes laços históricos de amizade e relações mutuamente benéficas”, declarou.
A diplomata também mencionou a importância da pecuária bovina para as duas economias e ressaltou a convicção de que países em desenvolvimento podem compartilhar experiências e aprender uns com os outros.
Ao completar 60 anos de independência, Botsuana procura, assim, combinar a estabilidade construída ao longo de sua história com uma agenda voltada à diversificação econômica, à inovação e à ampliação das parcerias internacionais — com o Brasil ocupando posição de destaque nesse processo.

