Delegação ruandesa cumpre agenda em Brasília nesta segunda-feira e busca ampliar relações comerciais, investimentos e cooperação entre os dois países
A aproximação entre Brasil e Ruanda ganhou novo impulso nesta segunda-feira (17), com a presença de uma delegação empresarial ruandesa em Brasília. A agenda inclui encontros com instituições brasileiras e visitas voltadas ao conhecimento de experiências, tecnologias e oportunidades de negócios.
Nesta segunda-feira, a delegação esteve na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), onde conheceu iniciativas brasileiras na área de pesquisa, tecnologia e desenvolvimento agrícola. O grupo também cumpriu agenda na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), ampliando o diálogo sobre comércio, negócios e oportunidades de investimentos entre os dois países.
Em entrevista, Chantal Tuyishimire, Secretária Permanente do Ministério do Comércio e Indústria de Ruanda, destacou o interesse do país pela experiência brasileira e afirmou que a aproximação com o Brasil vai além do setor agrícola.
“Brasil e Ruanda possuem algumas características semelhantes, especialmente por estarem inseridos em regiões tropicais. Percebemos que, trabalhando em parceria com o Brasil, podemos aprender muito, não apenas por meio de capacitação, mas também tendo acesso a tecnologias avançadas que vocês desenvolveram”, afirmou.
Segundo Chantal, a visita à Embrapa chamou a atenção da delegação pela trajetória de desenvolvimento alcançada pela agricultura brasileira. Para ela, a experiência do país representa uma oportunidade para Ruanda conhecer soluções e tecnologias que possam contribuir para seu próprio desenvolvimento.
“Estivemos na Embrapa algumas horas atrás e foi possível observar claramente uma transformação muito significativa. Pudemos ver uma evolução que parte praticamente do zero e chega a um nível muito grande de desenvolvimento”, disse.
A missão, no entanto, reúne representantes de diferentes setores. De acordo com Chantal, fazem parte da delegação empresas farmacêuticas, companhias da área de construção e outros grupos interessados em identificar oportunidades no mercado brasileiro.
A agenda também envolve instituições governamentais e representantes ligados à educação técnica e profissional. Ruanda demonstra interesse na experiência brasileira na formação de profissionais e no desenvolvimento de habilidades voltadas à indústria.
“Sabemos que o Brasil avançou muito na área de educação politécnica e no ensino técnico e profissional, especialmente no desenvolvimento de habilidades para a indústria”, explicou.
A representante ruandesa também mencionou a possibilidade de novos acordos de cooperação. Segundo ela, Memorandos de Entendimento estão em andamento e poderão ser assinados futuramente, inclusive em áreas relacionadas à inovação.
Comércio entre os dois países
A missão empresarial também busca ampliar o comércio em duas direções. Ruanda pretende apresentar produtos de seu país ao mercado brasileiro, com destaque para café e chá, além de outros itens produzidos localmente.
“Esta missão comercial começa pelo comércio, mas nossa intenção é avançar para uma relação mais ampla, contribuindo também para aumentar a industrialização nos dois países”, afirmou Chantal.
Ao mesmo tempo, Ruanda quer atrair empresas brasileiras e ampliar os investimentos no país. A secretária permanente destacou que o governo ruandês deseja apresentar aos empresários brasileiros as oportunidades existentes no mercado local.
“Ruanda pode ser uma excelente porta de entrada para uma nova perspectiva sobre a África. O Brasil é muito bem-vindo para investir em Ruanda e para ser nosso parceiro”, declarou.
Segundo Chantal, o país busca se apresentar como um ambiente seguro, estável, transparente e previsível para investidores. Ela também ressaltou a posição estratégica de Ruanda no continente africano.
Ruanda como hub para o mercado africano
Outro aspecto destacado durante a entrevista foi a localização estratégica de Ruanda. O país integra estruturas de cooperação e integração econômica como a Comunidade da África Oriental (EAC), o Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) e a Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).
Para Chantal, essa inserção regional permite que Ruanda funcione como um ponto de conexão para empresas interessadas em outros mercados africanos.
“Não se trata apenas de um mercado de cerca de 14 milhões de pessoas, mas também da conectividade e da posição estratégica de Ruanda na região”, afirmou.
A missão empresarial reforça, assim, a busca por uma relação mais ampla entre Brasil e Ruanda, combinando comércio, investimentos, transferência de conhecimento, tecnologia, formação profissional e inovação.
A expectativa é que os encontros realizados durante a agenda brasileira contribuam para aproximar empresas e instituições dos dois países e criar novas oportunidades de negócios e cooperação.





