A Inteligência Artificial, seus impactos na economia global e os desafios da governança tecnológica estiveram no centro dos debates do CERALE 2026, realizado entre 8 e 10 de junho no Rio de Janeiro. Sediado pela Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE), o evento reuniu acadêmicos, pesquisadores, formuladores de políticas e líderes internacionais para discutir como a transformação digital está redefinindo mercados, sociedades e relações internacionais.
Sob o tema “Inteligência Artificial: Oportunidades, Riscos e Desafios em Contextos de Disrupção”, a conferência promoveu o diálogo entre especialistas da América Latina, Europa e Oriente Médio sobre inovação, governança, tecnologia, desenvolvimento econômico e o futuro das sociedades na era digital — em um momento em que a Inteligência Artificial redefine economias, mercados de trabalho e as relações internacionais.
Considerada uma das principais escolas de negócios e administração pública da América Latina e afiliada à FGV, a FGV EBAPE é reconhecida como um dos centros de pesquisa e think tanks de políticas públicas mais influentes do mundo. Ela firmou parceria com a ESCP Business School — a escola de negócios mais antiga do mundo e uma das mais prestigiadas da Europa.
A participação dos Emirados Árabes Unidos ganhou destaque com a presença da American University of Sharjah (AUS), uma universidade líder na região do Golfo, representada por seu Vice-Reitor de Relações Externas, Dr. Salah Brahimi. Durante o evento, o acadêmico proferiu o discurso principal intitulado “A Guerra Fria Cognitiva: Geoeconomia, Segurança e o Renascimento Multidisciplinar”, que analisou como a Inteligência Artificial está transformando a competitividade global, a segurança nacional, o ensino superior e as relações geopolíticas.
Para o Embaixador dos EAU no Brasil, Sharif Al Suwaidi, a participação da AUS no CERALE reflete uma visão trilateral compartilhada entre os EAU, o Brasil e a Europa a respeito do papel estratégico da educação e da inovação no desenvolvimento econômico. “A presença dos Emirados Árabes Unidos no CERALE 2026 reforça a importância da cooperação entre a América Latina, a Europa e o Oriente Médio em questões que definirão o futuro da economia global. Ao reunir instituições de excelência como a FGV, a ESCP Business School e a American University of Sharjah, o evento cria uma plataforma única para o intercâmbio de conhecimento sobre Inteligência Artificial e inovação. Para os EAU, investir no diálogo acadêmico de alto nível é um investimento na construção de soluções globais para desafios globais”, afirmou.
Além das discussões sobre tecnologia, o encontro destacou o fortalecimento da cooperação acadêmica entre o Brasil, a Europa e os Emirados Árabes Unidos, que vem avançando por meio de iniciativas de pesquisa, intercâmbios estudantis e parcerias universitárias. A presença da AUS no Brasil durante a semana incluiu reuniões institucionais com universidadesbrasileiras e diálogos voltados para a expansão da colaboração em áreas estratégicas para a economia do conhecimento.
Em sua apresentação, o Dr. Salah Brahimi enfatizou que a Inteligência Artificial deve ser compreendida não apenas como uma revolução tecnológica, mas também como um fenômeno econômico, social e geopolítico capaz de redefinir o equilíbrio de poder global nas próximas décadas.
“A conferência reuniu algumas das lideranças acadêmicas, empresariais e da sociedade civil mais importantes para discutir um dos temas mais transformadores de nosso tempo. A Inteligência Artificial está no centro da estratégia dos Emirados Árabes Unidos para competir na economia global do conhecimento, mas também exige uma reflexão profunda sobre ética, segurança, inclusão e cooperação internacional”, disse.
Segundo Brahimi, as universidades desempenham um papel fundamental na construção de respostas para desafios como a governança de dados, infraestrutura digital, acesso equitativo à tecnologia e a redução das lacunas entre o Norte e o Sul Globais.
Nesse contexto, eventos como o CERALE assumem relevância crescente ao conectar instituições de diferentes regiões do mundo em torno de desafios compartilhados. A aproximação entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, demonstra como a cooperação acadêmica pode complementar relações econômicas e diplomáticas já consolidadas, criando novas oportunidades para pesquisa conjunta, desenvolvimento de talentos e inovação.
“Em um momento em que a Inteligência Artificial remodela economias e sociedades, a colaboração acadêmica internacional deixou de ser opcional e tornou-se essencial. A parceria entre os Emirados Árabes Unidos e o Brasil é um exemplo concreto de cooperação Sul-Sul, onde duas nações inovadoras compartilham conhecimento, desenvolvem talentos e constroem soluções para desafios globais comuns”, concluiu o Embaixador Sharif Al Suwaidi.
A participação da liderança acadêmica dos EAU no CERALE 2026 reforça o compromisso de ambas as nações com a educação, a inovação e o desenvolvimento responsável de tecnologias emergentes, consolidando uma agenda de cooperação que se estende para além das relações econômicas e visa moldar conjuntamente o futuro